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/ǃɔ.ta.ʃe/
Prosódia: neutra, sem sílaba lexicalmente tônica.
Classe: substantivo.
Função base: designar um mamífero caracterizado por possuir uma cobertura corporal rígida e protetora e, por extensão semântica, uma proteção fabricada que apresenta características semelhantes às do revestimento desse animal.
Definição detalhada
qɔtas̆e possui dois significados historicamente relacionados.
1. Tatu — significado primário
Designa o tatu, mamífero caracterizado por uma cobertura externa resistente, formada por placas ósseas recobertas por material córneo.
Seu núcleo semântico é:
animal → cobertura corporal rígida → proteção natural
A característica perceptiva central do lexema é a aparência de um corpo revestido por uma proteção semelhante a uma armadura.
A palavra designa o animal inteiro, não apenas sua cobertura protetora.
Aplica-se aos tatus em geral, independentemente da espécie, do tamanho ou de seu comportamento.
O animal não precisa estar enrolado, imóvel ou em posição defensiva para receber essa denominação.
2. Couraça — significado secundário
Por extensão semântica, qɔtas̆e também designa uma proteção corporal rígida que lembra o revestimento natural do tatu.
Nesse sentido, corresponde especialmente à couraça utilizada para proteger o tronco, como nas armaduras históricas.
Seu núcleo semântico é:
cobertura rígida do tatu → semelhança de forma e função → proteção corporal fabricada
A transferência de significado ocorre por analogia entre duas estruturas que apresentam resistência externa e função protetora.
A couraça não precisa reproduzir exatamente a anatomia do tatu. Basta conservar a característica relevante que motivou a comparação: uma estrutura resistente que reveste e protege uma região corporal.
Usos
Uso zoológico
Nomeia o tatu como animal, vivo ou representado.
Uso anatômico
Pode designar a cobertura rígida do próprio tatu quando o contexto estabelece claramente essa referência.
Uso material
Designa uma couraça fabricada para proteger o corpo, especialmente uma peça rígida usada sobre o tronco.
Contraste
qɔta — duro; resistência material à pressão, à deformação ou à penetração.
s̆irewa — espalhar ou aplicar uma substância sobre uma superfície, formando uma camada por contato e deslizamento.
qɔtas̆e — animal caracterizado por uma cobertura corporal rígida e, por extensão, a proteção corporal semelhante.
A distinção é conceitual:
-
qɔta descreve uma propriedade física.
-
s̆irewa descreve um processo de cobertura superficial.
-
qɔtas̆e nomeia originalmente o animal cuja aparência reúne dureza e revestimento protetor.
Uma superfície pode ser dura sem constituir uma couraça. Da mesma maneira, uma camada aplicada superficialmente não precisa ser rígida nem protetora.
Em qɔtas̆e, essas características estão reunidas na imagem do revestimento natural do tatu.
Limites e nota de uso
No significado zoológico, qɔtas̆e designa especificamente o tatu. A presença de uma cobertura corporal rígida em outro animal não basta para estender automaticamente a denominação.
No significado secundário, a palavra não designa qualquer roupa ou revestimento.
A proteção referida deve conservar a ideia de resistência física associada à cobertura do corpo.
qɔtas̆e também não equivale necessariamente a uma armadura completa, pois uma couraça pode constituir apenas uma de suas peças.
O significado primário permanece zoológico. O significado de couraça resulta de uma extensão semântica posterior.
Equivalências em português
Contextuais: carapaça do tatu, revestimento corporal rígido, proteção corporal rígida, peça protetora do tronco.
Qɔtas̆e originou-se da composição de qɔta, “duro”, e s̆irewa, “cobrir superficialmente”, formando a imagem conceitual de “dureza em cobertura”.
Origem de qɔta
Raiz fonoicônica inspirada no impacto contra uma superfície resistente. O clique q /ǃ/ evoca uma batida seca, ɔ sugere densidade, t reforça a resistência e a representa a liberação final.
A sequência sugere:
impacto → resistência → dureza.
Origem de s̆irewa
Raiz fonoicônica inspirada no gesto de espalhar uma substância sobre uma superfície. s̆i evoca deslizamento contínuo, re representa espalhamento controlado e wa associa-se ao contato manual.
A sequência sugere:
contato → deslizamento → formação de uma camada.
Formação lexical
A composição sofreu uma erosão fonética particular, reconstruída pelas seguintes etapas:
qɔta s̆irewa → qɔtas̆irewa → qɔtas̆ire → qɔtas̆re → qɔtas̆e
A redução de s̆irewa a s̆e envolve apócope, síncope e simplificação consonantal. Trata-se de uma reconstrução proposta para este lexema, não de uma regra geral do Uomé.
Desenvolvimento semântico
dureza em cobertura → animal revestido por proteção rígida → tatu
Posteriormente, a semelhança entre o revestimento natural do tatu e uma proteção corporal fabricada motivou a extensão semântica:
tatu → revestimento protetor do tatu → couraça
Assim, qɔtas̆e designa originalmente o animal, enquanto “couraça” constitui seu significado secundário.
- Wa s̆u ys̆ika qɔtas̆e.
Eu vi um tatu. - Qɔtas̆e ho tɔ.
Há tatus. - Qɔtas̆e e̊mā qɔtas̆e.
O tatu tem uma couraça. - Mā qɔtas̆e tɔli triğa ja qɔta.
A couraça daquela pessoa é dura.
類義語:
- = couraça
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